sábado, 15 de setembro de 2012
A moral
quinta-feira, 1 de março de 2012
Churrasco divino
domingo, 27 de novembro de 2011
Como cães e gatos
sábado, 8 de outubro de 2011
psiké
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Eles ainda mudam o mundo
terça-feira, 19 de julho de 2011
Jonathan Lauton Domingues
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Davi e Golias
Davi se arrumou e foi para a balada. Entrou no recinto, tímido, de cabeça baixa e desconfiado. Gente diferente do que estava acostumado. Comprou uma dose de whisky para começar bem a noite e foi à pista.
Música alta, luzes psicodélicas, aquela fumaça que fazia mal a seu nariz e mais pessoas que o transporte público no horário de pico de uma segunda-feira.
De lá, viu ela, que dançava como se o mundo acabasse dali horas e sua silhueta fosse a reflexão do que mais sublime havia na humanidade já esquecida. Parou. Pela primeira vez não tinha palavras.
O que dizer? O que fazer? Era tão atraente quanto uma folha de papel almaço e tinha a desenvoltura de uma catraca de ônibus. Achou melhor esperar e voltar ao bar.
De lá, avistou Golias, que no oposto exato de si não hesitava em seguir os confusos rumos de sua própria vontade e fazer o que fosse preciso para realizar seus desejos.
Inédito em exposições ou museus, mas PhD em TOP 10 de rádios FM e depoimentos de Orkut com letras coloridas e de diferentes tamanhos com frases prontas de impacto que geram sorriso de qualquer menina ingênua, o gigante via na donzela um alvo. Que fosse mais um da noite: aquelas conquistas fáceis da natureza que esquecemos a realização segundos depois de acordar pela manhã, vestir a camiseta, tomar um café e não deixar sequer um contato.
Davi, Keraouc que só, não compactuava com tal atitude e não via chances de competição diante do evidente contraste dos pontos de vista, e encontrou no maço de cigarros escondido no bolso direito da calça jeans uma válvula de escape e relaxamento.
Na área de fumantes, cada trago reforçava a decisão de voltar ao campo e ratificar o mito do menor se fazendo valer contra o mais forte.
Calmo, com outra dose na cabeça e menos correntes na esperança, ele voltou ao lounge para avistá-la.
Como dona do recinto, ela dominava seus sentidos. Davi queria cantar todas as canções românticas daquela banda independente que ninguém conhecia ao pé de seu ouvido, e discutir por horas sobre o livro que estava lendo, cujo falecido autor não foi reconhecido em vida, mas um dia ainda provaria a competência. Infelizmente, ao contrário de Golias, que dançava cada vez mais perto daquela figura, recitando os versos que o DJ soltava na caixa de som de forma desafinada e convicta, ele não conhecia a letra da música.
Sequer sabia dançar. “Um pra lá e outro pra cá”, como viu um dia na televisão em um sábado tedioso em que a internet caiu, não funcionava tão bem para ele na pista de dança. Deslocado, encontrou na parede um apoio melhor que suas crenças.
E Golias crescia ainda mais. Chegava perto, sentia o pescoço quente da pequena e juntava suas mãos às palmas dela, que sorria. O terceiro gole de whisky não servia tanto à Davi para separar e vencer o adversário quanto para lhe causar certa tontura: acreditou que mais um pouco daquela nicotina barata comprada na banca de jornal seria o trunfo final da grande batalha.
Na varanda, em meio às nuvens de fumaça e silêncio, imaginava que, simultaneamente, Golias levava vantagem. Sua mente criava um filme onde o gigante histórico conseguia a garota, em meio a lábios unidos, cabelos puxados e perfumes misturados. Davi, cuja vontade era ele ser o personagem principal deste pesadelo, colocou um ponto final ao jeito low profile de ser e, de peito estufado e mais galã do que nunca, transitou entre desconhecidas multidões atrás dela.
Correu e empurrou, decidido.
Chegando ao ambiente retratado em quase totalidade desta história, Davi não encontrou nada além do vazio. Eles não estavam lá. E, apesar da pouca esperança de engano que um coração apavorado pode criar, ele sabia que não voltariam. Não agora. Pelo menos não mais naquela noite.
Aquele dia, Davi guardou a pedra de volta no bolso, a Bíblia estava errada e o gigante venceu.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Ele
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Brincar
domingo, 16 de janeiro de 2011
Poesia etílica
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
2011 e os outros
Sentado na calçada, de gorro velho na cabeça, segurando uma garrafa de pinga vagabunda com as costas quentes encostadas na parede gelada, ele olha para o céu noturno em atual ebulição. Fogos de artifício explodem em gamas inimagináveis de cores e formas, preenchendo o breu com beleza, encobrindo as estrelas cotidianas com seus brilhos energéticos.
Sem ninguém para abraçar, dinheiro para gastar ou branco pra vestir, diz “Feliz ano novo” para si mesmo, sabendo que de feliz pouco verá e de novo nada tem.
Duas horas depois, ainda frescas na lembrança as imagens das comemorações no céu, a rua está em paz. Embriagado, cabisbaixo e sozinho, começa a refletir sobre a vida, os caminhos tomados, as decisões erradas, tentando entender onde e porque tudo deu errado.
Sons distantes começam a perturbar o até então ensurdecedor silêncio urbano. São os carros a toda velocidades e cheios de sorrisos sob música eletrônica alta pelas avenidas principais. Casais, amigos e famílias, todos eles alegres e aquecidos pela própria felicidade, voltando para casa, sonolentos e alienados ao mundo, prontos para descansar das festividades e voltar à vida como ela sempre foi.
Ele queria estar lá. Em qualquer lugar. Com qualquer um. Queria, ao menos uma vez, estender a mão a uma linda mulher para solicitar uma dança, e não implorar um almoço. Desfrutar de uma ceia, tomar champagne debruçado na varanda de um prédio enquanto observa o extasiado horizonte colorido explodir. Ter um relógio no pulso para, pela primeira vez, seguir corretamente a contagem regressiva, e não somente imitar o coro daqueles que comemoram em alto e bom som nos bares de esquina da vida.
Não muito longe dali, três quarteirões abaixo, no terceiro andar de um belo edifício metropolitano, ela usa um longo vestido branco. Decote discreto, cabelo liso tingido e colar de pérolas no pescoço. Sob as luzes de velas em uma pequena mesa de madeira, em uma confortável cadeira solitária e os cotovelos apoiados na mesa, ela olha um porta-retrato do outro lado da sala. Com cara de recordações, lembra do marido que meses antes saiu para comprar pão e não voltou: piscou os olhos durante um tiro de revólver e nunca mais os abriu. Deseja um ótimo ano novo para a foto mais bonita que teve a oportunidade de revelar e se derrete em prantos.
Agora já plena madrugada. As reuniões estão acabando. As pessoas se recolhem em seus aposentos. No centro da cidade, perto da janela de um quarto de hospital público, um terceiro personagem, idoso, vivido e contido, respira sofregamente. Olha para o Sol que começa a surgir no horizonte. Reza, pela primeira vez na vida, e pede um feliz ano novo. Desta vez, também de forma inédita, não para si mesmo, mas para amigos e familiares. Fecha os olhos, inspira profundamente, dá um último sorriso e cai em pensamentos, não tendo tempo de sequer presenciar a primeira manhã do primeiro dia do ano.
Um feliz ano novo, não somente para quem conheço e gosto, mas também àqueles sem rosto nem nome, perdidos no mundo e que nunca poderão ler estes votos. Que a felicidade (ou, ao menos, momentos felizes) contemple toda eternidade curta de nossas vidas.
Ótimo 2011!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
No metrô
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Niet
Escrevo a todos os leitores. Àqueles sujos, suados, fétidos e mortos cujos corações amargurados jamais descansaram sob o cinza do céu e a nuvem de paz que rodeia espírito, corpo e coração.
Sento em meio às teclas e batidas dos meus pensamentos sombrios. Na frente do mundo, vejo a luz que nunca foi revelada, mas que ainda há de vir para todos.
Tonto, cansado e sem jeito, tento escrever em um meio hostil ao qual nunca me adaptei.
Curvo, fecho os olhos que não são meus e abro as mentes igualmente sem dono.
Frio e gélido sob um calor de oitenta graus, eu finjo ser um Keourac mentiroso nas palavras que escrevi.
Antes sem querer e agora por vontade, me movo pelas ruas de São Paulo jazido e caído como um trem de carga sem censor.
Liberto de mim mesmo, eu me entrego aos movimentos repetidos inéditos aos quais aqui estão.
Em uma vontade inconseqüente e incoerente, o resultado: eu aqui e nunca mais, até a próxima solicitação.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Detalhes
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Mergulho
Às vezes um mergulho é tudo que uma pessoa precisa na vida.
Esquecer das vezes em que se afogou para usufruir de um oceano inteiro de possibilidades.
Parafraseando John Lennon: fugir das "piscinas de arrependimento" e aproveitar as "ondas de alegria" que o mar alheio têm a oferecer.
Na superficialidade da terra, analisamos de fora as verdadeiras profundidades naturais.
Às vezes apenas um mergulho é o responsável por nos separar entre o tudo e o nada.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
O dono do risco
Em uma mão trêmula e hesitante, a caneta.
Na outra, sua cabeça pesada de idéias leves.
Pensamentos e traços igualmente vazios.
Aquele sentimento de nada a falar - ou fazer - massivo e compreensível, mas que ninguém consegue explicar.
Quando os seus atos são como a aproximação da tinta na celulose barata e amassada em cima da mesa lisa de madeira: tão perto, tão potencialmente significativa, e ainda assim totalmente dependente.
A fome pelas palavras que ainda não foram criadas. O amargo do inominável beirando a existência no vão entre sua vida e minha alma.
De um só sorriso, tira-se ânimo e desgosto.
Um grito mudo sufoca o peito quando a mente trava.
As pernas agitadas chamam uma atenção que você por inteiro já não consegue.
Sentimentos são poemas em resposta daquilo que nunca foi dito, reflexos óbvios de forma pouco criativa: mentiras e verdades distinguem-se apenas por perspectiva.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Esperando pela ruptura
Poucos percebem a mentira fantasiada de roteiro Disney desta crença.
Nem o mais flexível dos produtos passionais resiste à certas pressões constantes e/ou exageradas. Chega um tênue momento limítrofe entre a união fragilizada (ainda) recuperável e quebra definitiva daquilo com que se brinca.
Talvez me encontre neste limbo. Perdido, confuso e cego. Indeciso entre a razão e o sentimento. Sérias decisões - próprias e alheias – me encurralam no canto como um coelho branco inocente no breu selvagem de um quarto em um hospício.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Ponto de vista
O velho abajur preto de lâmpada fluorescente aceso pela sonolenta mão direita após o contínuo grito alarmante do despertador indicando que são sete e vinte da manhã fria de uma quarta-feira de trabalho.
O quarto bagunçado, roupas jogadas em cima da cadeira e penduradas em cabides do lado de fora do armário de madeira, o colchão ainda quente e amassado pelo corpo que acabou de levantar, o relevo montanhoso do edredom azul claro largado, recriando fiordes de lã e nylon neste confortável quadricular planeta cama.
A dança hipnótica das magras persianas beges no forte ritmo musical dos ventos matinais na janela aberta da sala enquanto as folhas verdes nos vasos decorativos da sala balançam e concordam com tudo.
Você no espelho, cabelo bagunçado, pequenos e sonolentos olhos vermelhos, boca seca e pijama.
O velho tênis rasgado pisando na avariada calçada cinza na rua vazia, apenas alguns carros que dormem paralelos à guia, estabelecimentos comerciais ainda fechados e meia dúzia de árvores outonais sobrando na paisagem, outliers no gráfico metropolitano de figuras corriqueiramente apáticas estampadas mundo afora.
Trens chacoalhantes e sucateados entupidos de rostos, chapéus, livros e blazers diversos; identidades singulares perdidas na multidão inominável, homogeneizada pelo transporte púbico e de baixo custo que espreme as peculiaridades e experiências únicas de cada indivíduo em uma massa uniforme que geme e reclama e se aperta nos espaços possíveis não ocupados por bancos, mastros de aço e malas.
Nuvens arrogantes, aves silenciosas e um tímido Sol aquecendo um cachorro de rua deitado no chão, cabeça apoiada nas cansadas patas batalhadoras, olhos semicerrados por um singelo prazer natural, crianças saindo de seus aconchegantes sobrados, limpas, arrumadas, mochila nas costas, caderno nas mãos, emburradas no rosto e o senso de dever hesitando no momento de ir para a escola.
A vida começa a aparecer, assim como o dia. E me encontro filosofando comigo mesmo: nós reclamamos tanto das coisas que vemos que nos esquecemos de agradecer justamente pela incrível possibilidade de vê-las.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Algo a mais ...
É frustrante ver a intenção de atingir os mesmos significados perder a batalha e escorrer gélida pelos seus hesitantes dedos, como um pintor de parede tentando recriar a natureza em uma tela e não alcançar a perfeição de um Picasso – sem exposições nos museus sentimentais alheios. Há sempre (e no mínimo) um detalhe bloqueando o êxito. Aquela árvore importante que você deixou de desenhar porque se preocupou demais com o céu. Os tons, cores e relevos em contraste por sua desatenção, preteridos pela técnica do pincel que no fim de nada valia em separado do espetáculo geral da obra.
A questão do próprio desenvolvimento pessoal parece irrelevante quando vistas algumas falhas ou diferenças. Talvez, alguns nasceram para o Cordon Bleu e outros sempre queimarão o feijão e empaparão o arroz.
E a despeito do que supõe toda utópica hipótese de auto-alívio sobre as especialidades singulares que possui cada indivíduo, você perde em demasiados quesitos e diversas vertentes. Não por um fato isolado para balanceamento, mas pelo conjunto das histórias vividas, cada uma com sua peculiaridade a qual você não consegue vencer.
Implicitamente desesperado, lhe restam tentativas vãs de um diferencial significativo – aquele gesto único de esperança em tatuar na lembrança a sua existência. Se não pelo efervescente desejo de posse e entrega total que a paixão alimenta, pelo carinho contínuo, memórias e auxílio mútuo como só o amor tem a oferecer.