sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Detalhes
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Mergulho
Às vezes um mergulho é tudo que uma pessoa precisa na vida.
Esquecer das vezes em que se afogou para usufruir de um oceano inteiro de possibilidades.
Parafraseando John Lennon: fugir das "piscinas de arrependimento" e aproveitar as "ondas de alegria" que o mar alheio têm a oferecer.
Na superficialidade da terra, analisamos de fora as verdadeiras profundidades naturais.
Às vezes apenas um mergulho é o responsável por nos separar entre o tudo e o nada.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
O dono do risco
Em uma mão trêmula e hesitante, a caneta.
Na outra, sua cabeça pesada de idéias leves.
Pensamentos e traços igualmente vazios.
Aquele sentimento de nada a falar - ou fazer - massivo e compreensível, mas que ninguém consegue explicar.
Quando os seus atos são como a aproximação da tinta na celulose barata e amassada em cima da mesa lisa de madeira: tão perto, tão potencialmente significativa, e ainda assim totalmente dependente.
A fome pelas palavras que ainda não foram criadas. O amargo do inominável beirando a existência no vão entre sua vida e minha alma.
De um só sorriso, tira-se ânimo e desgosto.
Um grito mudo sufoca o peito quando a mente trava.
As pernas agitadas chamam uma atenção que você por inteiro já não consegue.
Sentimentos são poemas em resposta daquilo que nunca foi dito, reflexos óbvios de forma pouco criativa: mentiras e verdades distinguem-se apenas por perspectiva.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Esperando pela ruptura
Poucos percebem a mentira fantasiada de roteiro Disney desta crença.
Nem o mais flexível dos produtos passionais resiste à certas pressões constantes e/ou exageradas. Chega um tênue momento limítrofe entre a união fragilizada (ainda) recuperável e quebra definitiva daquilo com que se brinca.
Talvez me encontre neste limbo. Perdido, confuso e cego. Indeciso entre a razão e o sentimento. Sérias decisões - próprias e alheias – me encurralam no canto como um coelho branco inocente no breu selvagem de um quarto em um hospício.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Ponto de vista
O velho abajur preto de lâmpada fluorescente aceso pela sonolenta mão direita após o contínuo grito alarmante do despertador indicando que são sete e vinte da manhã fria de uma quarta-feira de trabalho.
O quarto bagunçado, roupas jogadas em cima da cadeira e penduradas em cabides do lado de fora do armário de madeira, o colchão ainda quente e amassado pelo corpo que acabou de levantar, o relevo montanhoso do edredom azul claro largado, recriando fiordes de lã e nylon neste confortável quadricular planeta cama.
A dança hipnótica das magras persianas beges no forte ritmo musical dos ventos matinais na janela aberta da sala enquanto as folhas verdes nos vasos decorativos da sala balançam e concordam com tudo.
Você no espelho, cabelo bagunçado, pequenos e sonolentos olhos vermelhos, boca seca e pijama.
O velho tênis rasgado pisando na avariada calçada cinza na rua vazia, apenas alguns carros que dormem paralelos à guia, estabelecimentos comerciais ainda fechados e meia dúzia de árvores outonais sobrando na paisagem, outliers no gráfico metropolitano de figuras corriqueiramente apáticas estampadas mundo afora.
Trens chacoalhantes e sucateados entupidos de rostos, chapéus, livros e blazers diversos; identidades singulares perdidas na multidão inominável, homogeneizada pelo transporte púbico e de baixo custo que espreme as peculiaridades e experiências únicas de cada indivíduo em uma massa uniforme que geme e reclama e se aperta nos espaços possíveis não ocupados por bancos, mastros de aço e malas.
Nuvens arrogantes, aves silenciosas e um tímido Sol aquecendo um cachorro de rua deitado no chão, cabeça apoiada nas cansadas patas batalhadoras, olhos semicerrados por um singelo prazer natural, crianças saindo de seus aconchegantes sobrados, limpas, arrumadas, mochila nas costas, caderno nas mãos, emburradas no rosto e o senso de dever hesitando no momento de ir para a escola.
A vida começa a aparecer, assim como o dia. E me encontro filosofando comigo mesmo: nós reclamamos tanto das coisas que vemos que nos esquecemos de agradecer justamente pela incrível possibilidade de vê-las.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Algo a mais ...
É frustrante ver a intenção de atingir os mesmos significados perder a batalha e escorrer gélida pelos seus hesitantes dedos, como um pintor de parede tentando recriar a natureza em uma tela e não alcançar a perfeição de um Picasso – sem exposições nos museus sentimentais alheios. Há sempre (e no mínimo) um detalhe bloqueando o êxito. Aquela árvore importante que você deixou de desenhar porque se preocupou demais com o céu. Os tons, cores e relevos em contraste por sua desatenção, preteridos pela técnica do pincel que no fim de nada valia em separado do espetáculo geral da obra.
A questão do próprio desenvolvimento pessoal parece irrelevante quando vistas algumas falhas ou diferenças. Talvez, alguns nasceram para o Cordon Bleu e outros sempre queimarão o feijão e empaparão o arroz.
E a despeito do que supõe toda utópica hipótese de auto-alívio sobre as especialidades singulares que possui cada indivíduo, você perde em demasiados quesitos e diversas vertentes. Não por um fato isolado para balanceamento, mas pelo conjunto das histórias vividas, cada uma com sua peculiaridade a qual você não consegue vencer.
Implicitamente desesperado, lhe restam tentativas vãs de um diferencial significativo – aquele gesto único de esperança em tatuar na lembrança a sua existência. Se não pelo efervescente desejo de posse e entrega total que a paixão alimenta, pelo carinho contínuo, memórias e auxílio mútuo como só o amor tem a oferecer.